quarta-feira, 24 de julho de 2013
Pequeno Perfil de um cidadão comum
Belchior
Era um cidadão comum como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria, via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua
Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)
Embarcava no metrô, o nosso metropolitano...
Era um homem de bons modos:
"Com licença; - Foi engano"
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida
Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis
Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis
Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis
Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)
Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto
E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto
Que a terra lhe seja leve
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
PÁSSARO ZUL
... NÃO PODERIA DEIXAR DE ENCERRA AS POSTAGENS DO ANO COM ESSE POEMA...
PÁSSARO ZUL
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Coisas que se ver no Bar ou Coisas que se Pensam no Bar
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Vermelho
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho
Acho graça
Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô
De novo.
Nada sei dessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
Pra te procurar
Eu bem sei onde tudo vai parar
Já não tenho medo do mundo
Sou filho da eternidade
Trago nesses pés o vento
Pra te carregar daqui
Mas você sorri desse jeito
E eu que já perdi a hora e o lugar
Aceito.
Nada sei nessa tarde
Se você não vem
Sigo o sol na cidade
A te procurar
Nada de meu nesse lugar
A cidade vai pensar
Que nada aconteceu em vão
Você vai me ligar então mais uma vez
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Noticias de um Perdedor ou Estampado na cara e no Jornal
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Aquela noite

Era só mais uma noite, noite tranqüila e calma, noite de sexta, cervejas, frustrações e vontades. Já era bem tarde, os peixes já estavam alimentados e todos na casa já haviam dormido. Os carros na rua eram poucos, quase nenhuns e de pedestres apenas alguns bêbados com seus últimos trocados medingando a ultima tragada.
Ao som do jovem Jimy as coisas se ajeitam, e as realmente se ajeitam, depois de um dia duro de trabalho. As notas de sua guitarra parecem tocar na pele de fato aliviam a alma.
Depois de algumas cervejas e de fato a cerveja ainda é um grande anestésico , a noite continua sendo apenas uma grande promessa , agora sem cerveja, sem frustrações e sem vontades. A noite continua sendo apenas uma grande noite.
Enzo de marco
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Eu não odeio meu pai

Eu não odeio meu pai. Sinceramente eu não odeio meu pai.
Eu não odeio o fato dele não estar no dia do meu nascimento (três dias antes do dele).
Não odeio o simples fato dele não estar no meu primeiro aniversario... Não odeio o fato dele não me ensinar a andar de bicicleta. Falar comigo sobre como não apanhar dos garotos na escola, nem sobre o primeiro beijo que dei na menina doida que gostava de mim. Eu não odeio meu pai pelo fato de ele nunca estar presente no meu natal, ano novo e principalmente na páscoa, que minhas tias humilhantemente tentavam ocupar o lugar dele.
Eu não odeio meu pai pelo fato de eu querer ser branco, pelo simples fato da família dele serem todos brancos e sermos negros(eu e minha irmã).
Eu não odeio meu pai pelo fato dele me largar na casa de minha avó por boa parte minha vida.
Eu não odeio meu pai pelo fato de ter uma infância fodida, escrota e sem nenhum referencial de pai... CRESCI...
Eu não odeio meu pai por ele ser um babaca, por ele querer se aproximar... Eu não odeio meu pai hoje porque ele vive dizendo de como ele curtiu a vida dele... (quando eu era criança). Dizer quantas mulheres ele pegou e ou quantas praias desertas ele foi.
Eu não odeio meu pai por ele vir na minha casa todos os domingos e dizer isso na minha cara... Como se fosse um amigo dele... (ele se esquece de que estar falando com o filho?)
Eu não odeio meu pai pelo fato dele ir ao meu casamento e não ter me dado nem um real e nem perguntado o quanto ele poderia ajudar, no entanto ele estava lá cheio de pompa e verdades!
Eu não odeio meu pai pelo fato dele ter me ligado este ano me desejando parabéns. ( e os ou 29 anos que ele não ligou).
Eu não odeio meu pai por hoje eu não ter pai, que corrija, reprima ou oriente, esse pai nunca tive acho que nunca terei. Graças à ausência do meu pai, (o pior é que reclamam do alto índice de violência no mundo...
Eu sinceramente não odeio meu pai, mesmo ele bebendo minha cerveja, comendo meus petiscos ou falando abobrinhas... Ou pelo simplesmente ele ser meu pai...
Enzo de Marco



