quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Homens carros (E o espírito do tempo)

É engraçado de como essas coisas insistem em acontecer comigo, se alguem me contasse certamente eu não acreditaria e acharia tudo uma grande historia.
Quero falar de como percebi que este poema /poesia/ musica, veio parar em minha mãos. Foi num domingo onde fui tocar junto com uns amigos num teatro aqui no suburbio, até então tudo normal só que percebi que ele estava lá , dentro da capa que eu guardo o meu contra-baixo.


Homens carros vieram da estrada
Somente para te dizer que de fato
Os seus veículos possuem
Um coração
Se acaso você duvida
Então tente lhes convencer


Homens carros
Na incerteza da estrada
Não tem o que esconder
Vão seguindo
O caminho do vento que sopra
Em turbilhão
Estão em busca do espírito
Do tempo que começou

Homens carros
Conquistam horizontes
Até mesmo sem perceber
Que na neblina da vida
Os leva sempre a colidir com tudo aquilo que
Sonharam e deixaram de ir buscar

Benjamim

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A herança que um avô pode deixar para seu neto





Todos os dias religiosamente as 6.00h da manha o velho Ciro vai a padaria comprar pães e leite bem quentinho para o café de sua família. É verão na grande e bela Salvador, Seu Ciro é o grande patriarca da família Oliveira, tem cerca de 90 anos e nem sabe realmente a quantidade de anos que tem, mais tem certeza de que já viveu bastante tempo parar apreender a natureza humana e seus perigos. Pai de quatro filhos, todos já adultos e bem criados ele se orgulha muito desse feito, cidadão de classe média, Ciro era um homem calado, gostava de falar pouco e o único vicio de tinha era fumar o seu cachimbo, costume que adquiriu quando retornou da guerra, é Seu Ciro foi para a 2º Grande Guerra, na época estava com um pouco mais de vinte anos e tinha acabado de se formar oficial do exercito brasileiro. Para ele era tudo novidade, e até ficou bastante excitado em saber que iria poder atirar em alguns nazistas, o clima era o melhor possível. Quatro semanas dentro de um navio faz mudar um monte de coisas. Ciro até hoje se lembra dos enjôos e vômitos que teve no caminho...
Em meio à guerra, morte, dores, grito e horrores, a morte esta a espreita sempre agarrando alguém, com sua sede insaciável de sangue. Agora para Ciro tudo era desespero e tristeza, já não havia encanto e muito menos nobreza em matar seja qualquer que fosse o ideal, No meio de uma batalha qualquer Ciro levou um tiro na bunda, o qual ganhou um passaporte de volta para casa .
Já na grande, bela e pacifica terra brasilis Ciro com uma bela cicatriz nas nadegas e uma visão completamente modificada sobre o que é o homem e suas proezas ele tenta reconstruir a vida e esquecer de que um dia já esteve no inferno.
Ciro constitui família e vai seguindo o seu rumo sem olhara para trás , quando surge qualquer conversa sobre sua ida p/ a Europa ele logo desconversa e muda de assunto, sempre fugindo e esquivando de conversas desse tipo, segue sua vida se cidadão comum e quase sempre se esquece das coisas que viu. O tempo passa a idade vai chegando assim como os netos e as missão e os almoços de domingo etc e tal...
Era um domingo, o dia estava quente de úmido, a cidade transpirava verão, o cheiro de maresia estava no ar, aliás ele sempre esta pairando no ar de Salvador, A Família de Ciro todo o domingo religiosamente vai até a casa dele para o almoço dominical, como sempre acontece todos conversam e contam como foi a semana, Ciro com a sua parcimônia adquirida com a idade ele escuta atenciosamente a todos falarem e apenas com monossílabas participa da conversa. Até que um informe e deixou bastante inquieto. Ficou sabendo que seu neto Davi estava querendo entrar no exercito e que aquela semana queria que com a influencia que o seu avô tem, pudesse dar uma certa ajuda.
Davi era o neto mais velho de Ciro de pela morena e cabelos negros tinha uma vivacidade característica de um soteropolitano, era um individuo somatotônico, virtuoso, porém jovem e todas as implicações que isso pode causar. Davi contemplava as pessoas de seu mundo pelos sinceros túneis dos olhos, sobretudo o avô a quem ele tinha como uma referencia de força e magnitude. Todos sabiam que Davi era o neto que Ciro tinha mais afinidade, sentia que era um jovem puro de coração, vi em seus olhos certa nobreza incomum a todos os jovens que conhecia, tinham uma afinidade muito grande.
Mais ao saber daquela informação ficou bastante tenso, a informação de que seu neto preferido iria entrar numa grande enrascada. Ele pacientemente aguarda o momento certo e chama Davi para seu quarto, pois queria mostrar algo a ele, algo que modificou a vida dele e que certamente modificaria a vida de Davi.
Ciro pegou em uma caixa bem antiga algumas fotos de quando era jovem e uma medalha, olhou bem fundo nos olhos de Davi, o qual sentiu um frio nunca sentido antes. Afinal de conta ele nunca tinha o olhado com tanta intensidade. Ciro percebeu o qual o clima ficou tenso e falou suavemente para Davi sobre a natureza de um soldado, embora o seu conhecimento tenha sido de muitos e muitos anos atrás.Falou ao neto da triste dignidade que pode ser inerente a uma soldado e de como é necessária diante de todos os fracassos do homem e talvez seja uma penalidade por nossas fragilidades, Ciro explicou – o que as humilhações são infligidas a fim de que ele possa, quando chegar o momento certo, ele não se sinta muito ressentimento com a suprema humilhação e se tornar indiferente a morte repulsiva e sem sentido.
Ciro conversava com Davi olhando nos olhos profundamente, não o encarava mais como uma criança e sim como o homem que um dia também foi, perdido e cheio de ilusões.
Continuou Dizendo.
- Você deve saber Davi que um soldado é o mais sagrado de todos os seres humanos, porque é o mais testado, entre todos. Vou tentar explicar. Ao longo da historia, os homens têm ensinado que matar qualquer homem é uma coisa ruim, muito ruim, um pecado talvez o pior pecado que conhecemos que não pode ser admitido, e quando um infeliz resolve fazer isso , ele é logo destruído pela Sociedade. No entanto em tempos de guerra pegamos um soldado e confiamos a ele a capacidade de matar e por mais absurdo que pareça mandamos que a use . – Use bem esse poder, use sabiamente. Pois não lhe faremos qualquer restrição. Saia e mate tantos homens inimigos quanto puder e vamos recompensá-lo por isso, mesmo sendo uma violação de todo o seu condicionamento.
Davi com os olhos já cheios de lagrimas e a boca completamente ressecada, pensou em fazer uma pergunta, mais, no entanto a prudência e o medo o fizeram recuar. Seu avô completamente emocionado percebeu que Davi queria fazer uma perguntar e se antecipou passou a não nos cabeços encaracolados de Davi com um jeito bem terno e continuou:
- Meu neto querido eu gosto muito de você e quero te contar tudo, afim de que não tenha qualquer surpresa. Eles vão tirar todas as suas roupas, mais não fica só nisso, Vão tirar toda e qualquer dignidade que possa ter, e perderá o que considera seu direito de viver e ser deixado em paz para viver. Será obrigado a viver , comer , dormi e cagar junto com outros homens . e quando você se der por se ninguém será capaz de te distinguir dos outros. Não poderá de forma alguma se distinguir dos outros soldados.
Depois de um certo tempo você não terá qualquer pensamento que os outros também não tenham , não conhecerá qualquer palavra que os outros não conheçam e fará as coisas que os outros também fazem e a pior parte e que sentirá perigo em qualquer diferença e se encarregará pessoalmente em eliminá-la o mais rápido possível de sua convivência .
Por mais que ache que com você seja completamente diferente , tenha plena certeza de que não será e caso você não queira te direi algo muito importante: - As Vezes sempre aparece um homem que não faz o que lhe é exigido , e quando isso acontece o sistema inteirinho se empenha friamente na aniquilação do diferente . Eles certamente vão exterminar seu espírito, sua coragem, o seu corpo e a mente, até eliminarem por completo a diferença perigosa. Preste atenção em tudo que estou te dizendo. Há homens que mergulham, submergem na vala comum, mais depois se levanta mais ele próprio do que antes, porque perderam a mesquinhez da vida. “quanto mais fundo você se enfiar mais alto poderá se elevar”.
Tendo esse pensamento meu neto conhecerá uma alegria sagrada, um sentimento de companheirismo que nenhum outro homem já viu. Conhecerá toda a qualidade do homem assim como todas as suas fraquezas.

.....Continuação....

Enzo de Marco

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O jovem de Barba Grande

O jovem homem de barba grandes, pela rua caminha em busca de algo, cabelos negros, pele morena e olhar quebrado... Ele apenas caminha, a cada passo deixado no chão um pensamento é solto no ar, coisa que aconteceram, coisas que acontecem e coisas que acontecerão.
As crianças nas ruas o observam com medo, os amigos com desdém, os de almas nobres o observam com grande admiração e as mulheres com ASCO, e ele indiferente a tudo, apenas continua a caminhar. No coração a nobreza, na mente milhões de idéias e no bolso poucas notas que logo serão trocadas por uns cigarros.
O jovem de barba grande, sempre maldito, não conversa com ninguém, não por escolha, o problema é que as pessoas não se propõem a dialogar.

Enzo de marco

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O meu fim no Hospício





Era noite e chovia muito, me recordo de estarmos no inverno, o vento frio não deixava nos esquecermos disso, meu corpo doía muito, tentei levantar a minha cabeça e não consegui, tentei visualizar as minhas mãos com a visão ainda turva fiquei supresso em ver que estavam amarradas. Eu Acordei num hospício e eu nunca me imaginei acordar em um hospício.
Esta tudo muito confuso, minha mente ainda estava muito confusa e me recordo apenas que pequenos fatos.
Muitos loucos! Evidente! Gente muito doente, muito doente mesmo e eu era um deles. Batiam-nos, nos cuspiam e tiravam toda a nossa dignidade a cada dia a sensação que tinha era de que a vida já não fazia mais sentido. Bordoadas nas pernas e eletro choques isso era cada dia mais constate.
Imagens flores e perfumes passavam em minha mente, todos os dias na mesma hora eles me traziam o remédio que eu fingia tomar segundo ele aquilo me faria ver o mundo melhor , me tornaria mais feliz !Tudo mentira.
Dias, meses e anos se passaram e a cada hora eu já não sabia quem eu era, ou melhor, o que eu havia me tornado nada mais fazia sentido eu apenas queria ficar longe que alguns problemas, só que sempre eles aconteciam. Numa briga que tive feri gravemente um cara, nem sei quem ele era, poderia ser um estripador ou até mesmo apenas um doente, só sei que ele queria me matar e numa luta acredito eu que justa acabei com a vida dele, não senti medo muito menos receio apenas fiz. Em meio a luta e com as mãos vermelhas de sangue senti uma pancada bem forte na nuca e apaguei.... Quando acordei estava na mesma sala que estou agora com pés e mãos amarrados e um monte de fios na minha cabeça, olho em minha volta de vejo apenas três pessoas seus rosto me eram bastantes conhecidos dois eram enfermeiros brutamontes que estrupavam algumas internas e o outro era o medico omisso de corrupto.
Ali senti que meu fim estava próximo, vi nos olhos deles certa satisfação no olhar, todos riram de mim e um deles cuspiu em mim, me chamou de idiota e disse que eu iria fritar, senti um gosto de sangue na boca. Como antes não tive medo e fechei os olhos ....a ultima coisa que vi foi risos frios e secos....

Enzo de Marco

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Normal ( de uma vida comum)





...Na noite pela rua andando e o cachorro comendo lixo me olhando...

Leandro passa pela rua é um butiquim de quinta categoria onde 4 jovens bebem vinhos cantam essa melodia com seus violões . Todos com caras bastante esquisitas e com personalidades completamente distintas. Leandro ficou um tempo observando aqueles caras bebendo.
Ele (Leandro) é um cara bem normal, trabalho de segurança em um banco Brasileiro que adora esfola sem pena seus empregados, Santos como é conhecido no trabalha, passa o dia todo em pé com uma pistola bem velha na cintura acreditando ser um homem da Lei fazendo a segurança de todos e, sobretudo resguardando o patrimônio de seu patrão. Não tem filhos e mora com sua mãe, sem namorada seu ramos momento de trepada e quando vai a um Brega perto de onde mora pelo menos 2 vezes no mês para trocar o óleo , e só as vezes acredita que realmente é amado por uma daquelas mulheres.
Freqüenta religiosamente todas as terças feiras com seus amigos, um velho jogo de futebol que acontece numa quadra bem próximo de sua casa. Em resumo tem uma vida bem normal, tudo na mais perfeita harmonia. Filho único de uma mãe que se acha mais jovem do que ele e que adora beber e encher a cara com outras senhoras. Ele a ignora apenas convive com ela, sem interferir na mínima coisa na vida dela. Mais, no entanto sente a falta de uma mãe, pois a impressão que mora com uma pré adolescente.
Em raros momentos ele se entrega a esbornia , enche a cara de cerveja e sai por ai. No dia desses de discussão com sua mãe ele resolveu ir para o bar e arejar a cabeça , pegou um ônibus e saiu por ai ,desceu em um bairro que não conhecia e foi logo num bar que estava próximo.
Era um boteco bastante simples, com algumas imagens de santos no pequeno altar e rodeado de folhas e garrafas de cachaça o dono do buteco uma figura completamente esquisita com um monte de cordões no pescoço foi logo colocando uma gelada no balcão e servindo Leandro, tudo tranqüilo lá pelas 3:00 hs da madrugada Leandro completamente bêbado ele foi embora...
A noite era fria e chovia bem fino, sem um guarda-chuva os pingo pareciam pequenas agudas , na noite andando pela rua só tem alguns cachorros que reviram um lata de lixo na rua , ele se lembrou logo da musica...
Retornou para casa, foi viver sua vida normal, no seu trabalho normal, com sua pequena família e seu velho jogo... As pessoas vivem nesse eterno joguete ,ridículo, onde acreditam fielmente que a vida é comer , beber e raras vezes fuder nem que seja pago.
Enzo de marco

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Presente no (do) aniversario ou Presente de uma Aguia





Não tive o direito, não tenho se quer puder ter, nem quis, Aquela coisa que sempre procurei, Ainda não faço questão de encontrar, A cada dia mais distante, mais, mais, mais e mais.
Mais é isso, a droga do meu pescoço doe muito, Não sei qual a causa, as dores são cada vez mais presente no meu corpo. A festa, ah a festa, todos alegremente vivendo suas comedias divinas, cervejas, comprimidos contra dor de garganta e um bom charuto, talvez resolvam essa grande incógnita que nos assombra.
Vejo algumas pessoas na rua comemorando algo de novo, acho que deve ser um aniversario de uma criança, linda e pequena criança, com um futuro imenso pela frente. Percebe-se em seus pequenos olhos uma certa inocência juvenil, com poucos momentos de incerteza sobre um futuro que não sabe...
É uma grande pena eu não poder abraçar aquela linda criança e poder desejá-la todo o bem que existe neste mundo. Como gostaria de olhar bem no fundo dos seus pequenos olhos negros e dar um sincero e verdadeiro beijo em sua testa e dizê-la que não tenha medo, pois, existe um mundo imenso lá fora e que se ela for pura de coração ele conspirará a seu favor .assim como diria a musica : “...Tudo é uma questão de manter a mente quieta a espinha ereta e o coração tranqüilo...”

Enzo de Marco

quarta-feira, 16 de junho de 2010

POBRES ABUTRES



A passos rápidos subo a rua do cemitério, pois não quero te-la como conselheira. Nas lapides descansam abutres famintos com olhos a me seguir, desejam minha carne, meus nervos, vísceras e músculos, querem me ter como refeição. O cheiro de medo segue o meu caminho que eu incauto sigo a trilhar, carros na rua , aves no chão e gritos - A morte finalmente sacia a sua vontade -Os transeuntes param, observam, uns choram outros rezam, mas todos se tranqüilizam por terem mais uma noite. Pobre abutre vejo cair de seus negros olhos uma lagrima e seguindo meu destino me deparo a contemplar : porque choras? Será de tristeza ou de alegria? pois será alimento daqueles que um dia foram sua companhia...


Enzo de Marco