segunda-feira, 24 de maio de 2010

A vida como ela é ( Num quarto de Hotel)



A noite era muito quente e a mulher que estava no meu lado mau sabia a porra do meu nome , era uma dessas mulheres que nós conseguimos com algumas cervejas e falsas juras de amor .
Num pequeno quarto de hotel, baratas passeiam pelos cantos em busca de migalhas de pão e enquanto isso acontece, eu abro uma cerveja e toma - a em goles grandes. Já era madrugada e a puta que esta do meu lado ronca e peida parecendo um porco, a sua única qualidade e que ela e uma mestra na arte da felação. Entediado e sem sono ligo a TV para anestesiar um pouco a minha mente... Um antigo filme Brasileiro na tela, algo parecido com: “A empregada Domestica”. Uma cena me chama atenção, tentarei descrever:
_ Um Barraco em uma favela qualquer, uma cama, uma TV e Duas pessoas uma mulher de meia idade feia e um cara gordo com uma pança cheia de excrementos e um bigodinho ridículo . A mulher com uma garrafa de pinga na mão fazia criticas do programa que o gordão via por um motivo qualquer os dois brigam e o cara imensamente gordo termina por dar umas boas tapas na pobre senhora que bêbada não pôde reagir.. a cena termina com o “gran finale” , os dois trepando como animais sedentos de prazer .
Vendo Aquela cena senti uma incrível ânsia de vomito (não sei se devido as12 cerveja ) corri para o banheiro e vomitei toda aquela “merda” , voltei para a cama e lembrei de um trecho do livro do velho Buck :

22

Acordei deprimido.Fiquei olhando para o teto, as rachaduras do teto, Vi um búfalo saltando alguma coisa.Acho que era eu.Ai vi uma serpente com um rato na boca.O sol aparecia nas frestas da persiana e formavam uma suástica em minha barriga . A bunda coçava. Estariam voltando as Hemorróidas?. O pescoço duro, a boca com gosto de leite talhado.
Levantei-me e fui ao banheiro. Me dava Riva olhar o espelho, mais olhei assim mesmo .Vi depressão e derrota. Bolsas escuras caídas sob os olhos. Olhinhos covardes , os olhos de rato acuado pelo puto gato. A pele parecia que nem tentava. Que odiava fazer parte de mim. As sombracelhas caiam retorcidas, pareciam dementes,dementes pêlos de sombracelhas.Horrível.Uma aparência repugnante. E eu não estava querendo evacuar. Todo entupido. Fui a privada mijar. Fiz pontaria corretamente , mas saiu de lado e molhou todo o chão . Tentei mudar a pontaria , mais acabei molhando a tampa de privada, que esquecera de levantar. Puxei um pouco de papel e passei no lugar. Limpei a tampa. Joguei o papel dentro e dei descarga. Fui até a janela e vi o gato cagando no telhado ao lado. Ai voltei para o banheiro , peguei as escovas de dente e apertei a bisnaga Saiu demais , oscilou sobre a escova e cauí na pia. Pareci uma lombriga verde . Meti o dedo nela e pus na escova e comecei a escovar. Dentes . Que coisa da porra . Tínhamos que comer. E comer e comer de novo. Éramos todos repugnantes , condenados aos nossos trabalhinhos sujos. Comer e peidar e se coçar e sorrir e festejar nas feriados.
Terminei de escovar os dentes e voltei para a cama. Não me sobravam forças, não estava inspirado . Era um percevejo de pregar um pedaço de linóleo.
Decidir ficar na cama até o meio- dia . Talvez então a metade do mundo estivesse morta e ele seria metade menos difícil de enfrentar. Talvez quando eu me levantasse de tarde tivesse a aparência bem melhor , me sentisse melhor , Uma vez conheci um cara que ficou dias sem defecar e acabou explodindo, de verdade saiu merda para todos os lados.
Ai o telefone tocou deixei tocar . Nunca atendia ao telefone na parte da manhã . Tocou cinco vezes e parou. Eu estava sozinho comigo mesmo. E por mais repugnante que fosse era melhor que esta com alguém , qualquer um, todos lá fora fazendo pequenos truques e piruetas. Voltei a puxar os cobertores até o pescoço e esperei....


Quando acordei me senti exatamente igual ao velho detetive Nick Belane Exatamente o mesmo!
E tenho dito

Enzo de marco

5 comentários:

Julyana Rocha disse...

Será um prazer...

Rafael Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jorginho da hora disse...

É a tpm bukowskiana. Ha, ha,ha!

Um abraço, meu velho!

Rafael Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roselaine Funari disse...

;)