segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Todos somos seres da noite ou (coisas das sombras)





Que a noite venha logo e traga com ela toda a virtude dos experimentadores, dos anarquistas, dos rebeldes e dos bêbados. Que ela caia como uma tortura para os ímpios, os puritanos, os sóbrios, os moralistas e os fracos. Que a dor venha e traga com ela a cura desse mal e que passe a ser um instrumento de transformação, que essa dor seja apenas um instrumento, só mais um instrumento que utilizaremos para essa transformação.
À noite e seus mistérios, sempre vem e trazem consigo a glória do ressurgir e a nobreza do resignificar e assim as coisas nunca mais serão as mesmas e a vitória, sempre tem o gosto de derrota / quem vence na verdade? E quem perde?
O perdedor sempre será perdedor e levará com sua alma o estigma dos filhos de Caim...
A noite como um silêncio soturno, frio e calmo, deve chegar logo ludibriando e pacificando todos os corações, pois tudo que é DIA virará NOITE.

Enzo de Marco

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Eternas Quartas do vinho ( Viva a Boêmia Filosófica)





Nós temos uma imensa vontade
De abraçar o mundo
Gostaríamos da companhia de todos
Junto a nós, no boteco da esquina
Gostaríamos de compartilhar com todos
As dores de se ser gente
É assim que se aprende
Queríamos ouvir os bêbados e suas filosofias
Suas mais belas filosofias, verdadeiras ou não...
Ouvir os loucos, os desiludidos
Os apaixonados...
Queríamos aprender com eles, os apaixonados
A magia do amor
Mas dizem que amor não se aprende
queríamos sair do bar tombando pela calçada
Abraçados a um desconhecido
Eis o verdadeiro amigo!
As vozes em tom alto, indignadas...
As vozes de cantores de banheira
Na sua mais alta afinação
Numa sintonia efervescente com o coração
queríamos poder compartilhar com o solitário
e sua cerveja
Aquele barulho ensurdecedor do silêncio
Ele, a cerveja e sua lágrima

(Texto Extraído do manual da Grãn Unidade Cósmica)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Estrada da Mutação ou (mudança no caminho)




Não! Não podemos parar, a estrada é longa e a noite é fria.
De longe percebo que olhos nos seguem, olhos vermelhos e gelados olho de raios-X Cercam-nos a alma e nos cegam de medo.
Não podemos parar mesmo sem motores e nem asas, o horizonte estar na nossa frente e é grande a estrada, os corvos estão à espreita, querem arrancar nossos olhos, existe uma lenda que diz que os olhos são entrada da alma.
Ah! cara como as coisas estão difíceis. Sempre vemos pessoas na beira da estrada, cansadas, sofridas, solitárias e famintas, penso que talvez pare um dia assim como elas, penso em ajudá-las, me parece um pouco impossível, pois nem sei se elas querem ser ajudadas, a grande verdade é que nem eu nem elas sabem do que devem ser ajudadas.
Nossa! Como é longo este caminho, inúmeras pedras, buracos e espinhos, sangue e gritos são comuns. Muitos não resistem e desfalecem... Desistem. Uma coisa tenho certeza é que cada pedra que tropecei, que cada buraco que cair e espinho que perfurou minha carne ajudaram a construir este ser em completa metamorfose.
Enzo de Marco

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Balada do amor


Não quero amar, não! Nunca mais
que esse negocio de amor
já não se faz sem punhais.
Mister dos mistérios tais
Ah! Eu nasci perdedor.
Pra que mentir de fingidor
das dores tão reais.
Que romantismo e insolência
torna-se o amor em violência
só à paixão luz natural
tesão de deusa pagã
que vence o amor a La D.Juan
certeza e gloria de fazer o mal.
Amor que move o sol e outras estrelas...
Ah! Quem penou a luz delas,
esses eu conheço de outros carnavais.
Deixem-me ser aprendiz
do amor perverso, do amor feliz.
Lugar comum de anjos e animais.
Belchior

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Das 32 horas que teria com você ou ( Confissões de uma amante )



Você vai chegar, fico imaginando o beijo que vai durar por dois minutos, o abraço caloroso, um olhar de saudade e de paixão. Mas eis que te vejo, você dá um abraço que une as partes exatas do corpo, mas que afasta com a desculpa do suor, dá um selinho e diz do cansaço da viagem.
Percorre minha casa com pressa, pergunta pelas pessoas, quando chegar, como vão... pega sua chave e sai.
Quarenta minutos depois volta, de banho tomado, com fome. Chama para um lanche e conta do trabalho, das coisas que encontrou em casa e do que precisa fazer. Segura nada mais que dois dedos da minha mão.
Voltamos, falamos da saudade do sexo, da vontade e você faz planos para um momento de amor sublime. A essa altura já vejo que tudo vai ser igual, que não passa de falação. Na despedida uns beijos quentes que mal alcançam a língua, já estão nos seios, uma vontade animal e o sexo rápido, a tontura é momentânea e a vontade de dormir chega, fruto do cotidiano e do momento.
Chega o outro dia, meu plano de com você rever e curtir a cidade sucumbe com a rotina, as pessoas para ver, os bichos para cuidar. Entre o almoço, às vezes antes outras depois, começam os copos de cerveja e o vinho barato. Já é tarde, as horas estão passando, não te vejo ou te vejo de relance, você passa sem camisa, com os cabelos ao vento, já se reapropriou do ambiente, é como se nunca tivesse saído.
Chega a noite, antes já nos falamos telefone algumas vezes, você diz que a noite vai ser minha, ou será que serei sua, já que é você que diz? Fico a espera mesmo sabendo que tudo é possível. Você já tomo várias, ainda quer mais, sai para a roda e volta no tempo da vontade e depois de todos os encontros.
Quando cedo, nos encontramos as vinte e trinta, vinte e uma, se minha paciência e minha raiva deixarem, não brigamos. Caso eu não esteja com o limiar tão alto assim, rola uma briga depois do seu banho. Se não, alguns momentos de sexo, com um pouco mais de tranqüilidade, com juras de saudade. Mas aí o tempo já passou, volto para casa e durmo.
Resta o domingo, um almoço coletivo e quando sobra...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Homens carros (E o espírito do tempo)

É engraçado de como essas coisas insistem em acontecer comigo, se alguem me contasse certamente eu não acreditaria e acharia tudo uma grande historia.
Quero falar de como percebi que este poema /poesia/ musica, veio parar em minha mãos. Foi num domingo onde fui tocar junto com uns amigos num teatro aqui no suburbio, até então tudo normal só que percebi que ele estava lá , dentro da capa que eu guardo o meu contra-baixo.


Homens carros vieram da estrada
Somente para te dizer que de fato
Os seus veículos possuem
Um coração
Se acaso você duvida
Então tente lhes convencer


Homens carros
Na incerteza da estrada
Não tem o que esconder
Vão seguindo
O caminho do vento que sopra
Em turbilhão
Estão em busca do espírito
Do tempo que começou

Homens carros
Conquistam horizontes
Até mesmo sem perceber
Que na neblina da vida
Os leva sempre a colidir com tudo aquilo que
Sonharam e deixaram de ir buscar

Benjamim

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A herança que um avô pode deixar para seu neto





Todos os dias religiosamente as 6.00h da manha o velho Ciro vai a padaria comprar pães e leite bem quentinho para o café de sua família. É verão na grande e bela Salvador, Seu Ciro é o grande patriarca da família Oliveira, tem cerca de 90 anos e nem sabe realmente a quantidade de anos que tem, mais tem certeza de que já viveu bastante tempo parar apreender a natureza humana e seus perigos. Pai de quatro filhos, todos já adultos e bem criados ele se orgulha muito desse feito, cidadão de classe média, Ciro era um homem calado, gostava de falar pouco e o único vicio de tinha era fumar o seu cachimbo, costume que adquiriu quando retornou da guerra, é Seu Ciro foi para a 2º Grande Guerra, na época estava com um pouco mais de vinte anos e tinha acabado de se formar oficial do exercito brasileiro. Para ele era tudo novidade, e até ficou bastante excitado em saber que iria poder atirar em alguns nazistas, o clima era o melhor possível. Quatro semanas dentro de um navio faz mudar um monte de coisas. Ciro até hoje se lembra dos enjôos e vômitos que teve no caminho...
Em meio à guerra, morte, dores, grito e horrores, a morte esta a espreita sempre agarrando alguém, com sua sede insaciável de sangue. Agora para Ciro tudo era desespero e tristeza, já não havia encanto e muito menos nobreza em matar seja qualquer que fosse o ideal, No meio de uma batalha qualquer Ciro levou um tiro na bunda, o qual ganhou um passaporte de volta para casa .
Já na grande, bela e pacifica terra brasilis Ciro com uma bela cicatriz nas nadegas e uma visão completamente modificada sobre o que é o homem e suas proezas ele tenta reconstruir a vida e esquecer de que um dia já esteve no inferno.
Ciro constitui família e vai seguindo o seu rumo sem olhara para trás , quando surge qualquer conversa sobre sua ida p/ a Europa ele logo desconversa e muda de assunto, sempre fugindo e esquivando de conversas desse tipo, segue sua vida se cidadão comum e quase sempre se esquece das coisas que viu. O tempo passa a idade vai chegando assim como os netos e as missão e os almoços de domingo etc e tal...
Era um domingo, o dia estava quente de úmido, a cidade transpirava verão, o cheiro de maresia estava no ar, aliás ele sempre esta pairando no ar de Salvador, A Família de Ciro todo o domingo religiosamente vai até a casa dele para o almoço dominical, como sempre acontece todos conversam e contam como foi a semana, Ciro com a sua parcimônia adquirida com a idade ele escuta atenciosamente a todos falarem e apenas com monossílabas participa da conversa. Até que um informe e deixou bastante inquieto. Ficou sabendo que seu neto Davi estava querendo entrar no exercito e que aquela semana queria que com a influencia que o seu avô tem, pudesse dar uma certa ajuda.
Davi era o neto mais velho de Ciro de pela morena e cabelos negros tinha uma vivacidade característica de um soteropolitano, era um individuo somatotônico, virtuoso, porém jovem e todas as implicações que isso pode causar. Davi contemplava as pessoas de seu mundo pelos sinceros túneis dos olhos, sobretudo o avô a quem ele tinha como uma referencia de força e magnitude. Todos sabiam que Davi era o neto que Ciro tinha mais afinidade, sentia que era um jovem puro de coração, vi em seus olhos certa nobreza incomum a todos os jovens que conhecia, tinham uma afinidade muito grande.
Mais ao saber daquela informação ficou bastante tenso, a informação de que seu neto preferido iria entrar numa grande enrascada. Ele pacientemente aguarda o momento certo e chama Davi para seu quarto, pois queria mostrar algo a ele, algo que modificou a vida dele e que certamente modificaria a vida de Davi.
Ciro pegou em uma caixa bem antiga algumas fotos de quando era jovem e uma medalha, olhou bem fundo nos olhos de Davi, o qual sentiu um frio nunca sentido antes. Afinal de conta ele nunca tinha o olhado com tanta intensidade. Ciro percebeu o qual o clima ficou tenso e falou suavemente para Davi sobre a natureza de um soldado, embora o seu conhecimento tenha sido de muitos e muitos anos atrás.Falou ao neto da triste dignidade que pode ser inerente a uma soldado e de como é necessária diante de todos os fracassos do homem e talvez seja uma penalidade por nossas fragilidades, Ciro explicou – o que as humilhações são infligidas a fim de que ele possa, quando chegar o momento certo, ele não se sinta muito ressentimento com a suprema humilhação e se tornar indiferente a morte repulsiva e sem sentido.
Ciro conversava com Davi olhando nos olhos profundamente, não o encarava mais como uma criança e sim como o homem que um dia também foi, perdido e cheio de ilusões.
Continuou Dizendo.
- Você deve saber Davi que um soldado é o mais sagrado de todos os seres humanos, porque é o mais testado, entre todos. Vou tentar explicar. Ao longo da historia, os homens têm ensinado que matar qualquer homem é uma coisa ruim, muito ruim, um pecado talvez o pior pecado que conhecemos que não pode ser admitido, e quando um infeliz resolve fazer isso , ele é logo destruído pela Sociedade. No entanto em tempos de guerra pegamos um soldado e confiamos a ele a capacidade de matar e por mais absurdo que pareça mandamos que a use . – Use bem esse poder, use sabiamente. Pois não lhe faremos qualquer restrição. Saia e mate tantos homens inimigos quanto puder e vamos recompensá-lo por isso, mesmo sendo uma violação de todo o seu condicionamento.
Davi com os olhos já cheios de lagrimas e a boca completamente ressecada, pensou em fazer uma pergunta, mais, no entanto a prudência e o medo o fizeram recuar. Seu avô completamente emocionado percebeu que Davi queria fazer uma perguntar e se antecipou passou a não nos cabeços encaracolados de Davi com um jeito bem terno e continuou:
- Meu neto querido eu gosto muito de você e quero te contar tudo, afim de que não tenha qualquer surpresa. Eles vão tirar todas as suas roupas, mais não fica só nisso, Vão tirar toda e qualquer dignidade que possa ter, e perderá o que considera seu direito de viver e ser deixado em paz para viver. Será obrigado a viver , comer , dormi e cagar junto com outros homens . e quando você se der por se ninguém será capaz de te distinguir dos outros. Não poderá de forma alguma se distinguir dos outros soldados.
Depois de um certo tempo você não terá qualquer pensamento que os outros também não tenham , não conhecerá qualquer palavra que os outros não conheçam e fará as coisas que os outros também fazem e a pior parte e que sentirá perigo em qualquer diferença e se encarregará pessoalmente em eliminá-la o mais rápido possível de sua convivência .
Por mais que ache que com você seja completamente diferente , tenha plena certeza de que não será e caso você não queira te direi algo muito importante: - As Vezes sempre aparece um homem que não faz o que lhe é exigido , e quando isso acontece o sistema inteirinho se empenha friamente na aniquilação do diferente . Eles certamente vão exterminar seu espírito, sua coragem, o seu corpo e a mente, até eliminarem por completo a diferença perigosa. Preste atenção em tudo que estou te dizendo. Há homens que mergulham, submergem na vala comum, mais depois se levanta mais ele próprio do que antes, porque perderam a mesquinhez da vida. “quanto mais fundo você se enfiar mais alto poderá se elevar”.
Tendo esse pensamento meu neto conhecerá uma alegria sagrada, um sentimento de companheirismo que nenhum outro homem já viu. Conhecerá toda a qualidade do homem assim como todas as suas fraquezas.

.....Continuação....

Enzo de Marco